saraVÁ
vá se
sarar
terça-feira, 15 de novembro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
Rebouças & o Suor das Noivas
a
saudade sua
nos
vestidos de noiva
e eles
ficam molhados
com a
saudade das noivas
Suadas
de saudade,
cada
passo até o altar
é uma
saudade da abandonada esquina
cada
passo,
apertado no sapato,
até
chegar à aliança
é uma
gota de saudade
que cai
da axila
saudade
dos segredos desejos
retidos
na bexiga
"mijada,
suada de saudade"
e de
vontade
a noiva
denuncia
toda a
gana de diluir-se, véu e grinal
no trânsito da avenida
no trânsito da avenida
para
Marina Melo, sua Saudade e sua Rebouças
sábado, 17 de setembro de 2016
terça-feira, 13 de setembro de 2016
"Seguir até Sumir"*
seguir cega,
resseca,
até
sumir
quem segue
*brincadeira com o poema "Orfeu", de Paulo Leminski, musicado por José Miguel Wisnik
resseca,
até
sumir
quem segue
*brincadeira com o poema "Orfeu", de Paulo Leminski, musicado por José Miguel Wisnik
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Dor de dente, dor de Deus
"a dor é de quem tem"
Segundo Marisa Monte
Até deus, ainda que em segredo,
tem Dor
Segundo Marisa Monte
A Dor é
mais real que deus
a Dor nós temos, a Dor nos tem
E, em
nós, alcança
dos
dentes aos cotovelos
dos dedos de gente às gentes sem dedos
dos dedos de gente às gentes sem dedos
Até deus, ainda que em segredo,
tem Dor
(e a Dor tem deus também)
Mesmo
que deus,
como se
tem Dor,
ninguém
tenha
Mesmo que com deus, como se está com Dor, ninguém esteja.
Mesmo que com deus, como se está com Dor, ninguém esteja.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Mapa
Me
revelo pra mim quando subo o trauma
Em mim,
ele forma relevos
que ao
percorrer, me conheço
Pequenas
elevações no corpo
e na
alma
que vão
desde o
galo na testa
até o
inchaço da nossa despedida
Não
relevo
(nem revelo
meus relevos
(nem revelo
meus relevos
Assim
como dependo de subir a Rua da Glória
Pra
chegar em casa
Se
escalo montanhas urbanas pra descansar na minha sala
Por que
não subir meus relevos
e
revelar a minha cara?
terça-feira, 9 de agosto de 2016
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Menarca da tarde
O
Sol
fica
vermelho, desce,
e
o dia cresce
O
Sol
é menstruado
pela vulva do céu
Expulso
em hemorragia
Ele faz o dia virar mulher,
virar
a noite.
a noite.
segunda-feira, 2 de maio de 2016
O Dia SEm DEntes
Quem não tinha dentes?
o dia ou a gente?
ou aquilo só era o dia da pessoa não ter dentes?
o dia da pessoa não comer nada,
o dia da pessoa não roer as unhas até o fim,
o dia da pessoa não morder as extremidades da caneta BIC,
o dia da pessoa não ter o que ranger,
o dia da pessoa não ter no que roçar a própria língua
com exceção do céu da boca]
o dia da pessoa não machucar ninguém
E as pessoas que não tem dia separado,
pra não ter dentes?
e Seus dentes são ausentes
Na boca de seus dias faltam dentes
Quando o dia dos desdentados depende da boca deles
pra ter dentes
Não só há dias sem dentes
Há ruas banguelas espalhadas por aí
trajetória de EVA
serpente
entre a mente e o pente
entre o ser e os fios longos
entre a boca e o rabo
entre a mulher e a árvore
desvaginada,
cobra
me mastigue
e me conduza,
dos seus dentes até sua bunda
até unir
meus começos aos meus fins.
domingo, 17 de abril de 2016
Prazer, eu não me chamo Alice
Há um
livro cujo nome é "Hoje Eu Sou Alice". Não o li mas ele
basicamente conta sobre uma menina esquizofrênica a qual, em meio a outros
problemas agravando o distúrbio, todo dia assume um nome
diferente, e assim, personalidades diferentes. Não quero entrar no
mérito dessa história da qual só sei o enredo, essa história que
é uma das várias envolvendo esse nome tão carregado. Quero só
pinçar o fato a seguir como pretexto para o que vou abordar aqui:
Alice é um dos nomes que a protagonista veste e, ainda que dentro do
contexto específico dela, é um dos nomes que ela recebe sem o ter
de fato. Um dos nomes, externos a ela, assimilados. Um dos nomes nos quais ela se transforma.
Já esse
espaço surge da concepção de nos criarmos justamente a partir daquilo que não temos. Eu me re-crio a partir do fato do meu nome não ser Alice. Eu me refaço a partir de um não. Nos reconhecermos em nós
através daquilo que já temos é um desafio. Que isso se expresse pelo contentamento
com o próprio nome, que isso se expresse pelo conceber o próprio
corpo. Que isso se expresse pelas meninas gostando de seus nomes, que isso se expresse pelas meninas gostando dos seus membros.
Eu não me chamo Alice. Eu não me chamo vários outros nomes que podem conotar poder, mas eu me chamo o meu nome, apesar de poder escolher outros que me tenham. Eu tenho o meu nome pra dar, eu tenho os nomes me definem pra dar, e ainda assim não quero dar nada que não seja eu.
Eu Não me Chamo Alice é sobre anterior a ser fiel ao que se é, é buscar as medidas daquilo que se é. Eu sei que a personagem do Karim Ainouz, que no caso era Alice de fato, conseguiu os dois na série homônima. Eu sei que a poeta Alice Ruiz, como profetizou seu companheiro Leminski, foi além das próprias pernas ao querer, no traço da sua palavra, ser exatamente aquilo que ela é. Eu sei que a Alice do Lewis Carrol, teve a pele e a estatura manipuladas como uma sanfona, atravessou espelhos, só pra chegar em si. Mas não precisa ser Alice, nenhuma delas, pra atingir o mesmo; em qualquer nome cabe isso.
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